Selo Ecetera

Letras et cetera - Revista Digital

O moço frívolo e a plebeia finada

O moço ainda é puro como as águas da primeira latência.
Sedoso, intangível e ao mesmo tempo palpável.
Afanoso na procura do concurso de anuência.
Que o leve a campos de prélio de onde brote condestável.

Não me deixes chorar a tua morte obscura
Reabilita a tua face de cera, afasta a mortalha
Vingarei o pecado da tua nascença impura
Levo a teu avivar para as praças de batalha.

O mancebo é grácil; e o derriço exorbita-lhe os anseios. A exânime amante, que lhe envia olhares mudos, oculta-lhe a razão.

De ti farei princesa, pelejarei até me escoar, braços e olhos sem receios. Na volta triunfante, me ofertarás os louros vertidos do teu coração.

Não interpeles os deuses,
nem no teu sono me vejas derrotado.
Despe-te do inerte pavor,
acende movimentos nos olhos delicia.
Encoraja o antagonista,
que o meu fruir seja gládio coroado.
Do meu corpo primaveril,
jorram veias, que são lagos de perícia.

Arrebatarei na terra fera
à fêmea bera, os predicados de realeza.
Na torre abjecta, enclausurarei a abelha-mestra,
negra, vil e vencida.
Nos conventos abertos,
os sinos louvarão o teu evento de princesa.
E no altar mor vestido de efémero herói,
beijarei o teu rosto sem vida.

Poefilo

Montefrio

1 comentário:

tertulías disse...

Fazia tempo que nao visitava o amigo Fernando... que grabde prazer reencpntrá-lo e le-lo... Obrigado!